Eterhum

Espaço de Terapias e Humanidades

Estado de Coma

clip_image002“Experiência em Estado de Coma”

Escrito em Novembro/07, por Filomena Levy, no curto espaço de poucas semanas entre o seu penúltimo e último internamento, antes da sua partida desta vida terrena, em 1 de Fevereiro/08. Filomena regressou ainda uma vez mais para nos testemunhar a sua experiência, despedir-se da família e partir. Apesar das muitas dificuldades físicas, a sua vontade, dinamismo e serenidade prevaleceram até ao fim da sua vida física.

Para ela sempre foi importante que a partida do corpo físico fosse uma festa não de despedida mas de alegria, porque a Alma finalmente está livre da máscara que usou neste grande teatro chamado vida terrena, onde aprendemos a evoluir às vezes sofrendo, outras vezes divertindo-nos e, também transmitindo mútuas experiências – mas pertencendo no fundo, todos a uma Alma só.

“ A Maior Crise da Minha Vida:
7 Setembro/2007 – 26 Outubro/2007”

Foi sem dúvida a maior crise da minha vida este momento de doença e, plutónica como foi, incluiu a minha morte.

Durante o período que estive em coma no hospital, na data acima assinalado, recordo-me de ter estado num local que era o limbo. Na realidade, lembro-me de ser uma criança vestida de branco e a imagem desse lugar era… de limbo à minha volta. Sentia, no entanto, serenidade e alegria. Era-me indiferente partir ou ficar…

Lembro-me de passear entre dois mundos e de estar feliz passeando entre eles.

Depois, quando a vontade da Alma se demonstrou e a personalidade decidiu ficar, recordo-me então de a criança andar no meio de pessoas, completamente serena, liberta, nada ligando aos que estavam à sua volta.

“Para conseguir a inocência da Alma é necessário atingir primeiro a serenidade.
A serenidade é a chave.
A maturidade da Alma vê-se nos pequenos momentos da vida.
A maturidade inclui a serenidade, assenta nela.”

Tive um círculo de oração e de fé à minha volta, que nunca esperei ter. Graças a Deus pela família que tenho, pelos amigos e, por tudo o que eu passei, pois foi uma forma de valorizar a minha parte física, de revogar alguns valores.

Esta crise deixou-me inerte, sem força física, sem andar, sem poder comer. Por isso trabalhei a humildade, pois tal situação obriga-nos a ajoelhar, a aceitar sem condições perante o grande e o pequeno, perante a mudança e o precário. A aceitar que nos dêem a comida à boca, que nos dêem banho, que nos vistam… a aceitar ajuda.

Levei tudo isto de boa vontade. Aceitei a dor física.

exper_coma1A equipa médica da UCI, do Hospital Garcia da Horta, durante esse período nada dava pela minha vida, pois estava dependente de máquinas. Mas, o círculo de oração e, sobretudo, a vontade da minha Alma prevaleceram. Pois é - só Deus sabe o que acontecerá no próximo minuto.

Lembro-me de ter sentido, durante o momento que estive em coma, que todos os que me acompanharam estavam com fé e, ao mesmo tempo desolados. Diziam-me coisas ao ouvido tal como: “Não te perdoo se não tiveres coragem de resistir e de regressar…” Outros sofreram em silêncio, foram pacientes comigo. A equipa médica e de enfermaria do piso 6 foi de um carinho e atenção especial para mim. Fui também abençoada por isso.

Fizeram tudo para me salvar no hospital: injectaram-me plasma, sangue, cortisona, filtraram o meu próprio sangue – algo que ainda não tinha sido feito a doentes com lúpus – tentaram os limites. Alguém na enfermaria chamou-me “a Milinha dos medronhos” que, embora entubada e tendo-se passado para o outro lado, minutos depois ressuscitou com 60 T.A. Os médicos quase fizeram uma festa, nessa altura.

Também durante o período em que estive em coma e ligada às máquinas, a minha filha segredou-me que já tinha entrado no Ensino Superior e, nesse momento, a minha tensão aumentou. Quando os que me rodeavam (familiares) falavam comigo ainda nesse estado, a minha tensão também se alterava, subindo.

Algumas pessoas fizeram trabalhos de energia e de amor à distância comigo, isto é, contactaram o meu Eu Superior e ajudaram-me, pois elas sabiam que não era a altura de eu partir deste mundo. Que não era aquela a minha hora. Festejei o meu aniversário posteriormente, a 17/11/2007, que em numerologia dá 20 - a Estrela. Foi excelente. Como deixei de andar, estou a fazer o processo do número 4 – começar tudo de novo - Renascer. Comecei actualmente um Curso de Ciências Sociais – Psicologia.

Trabalhamos em diversas áreas de terapias não convencionais, tendo por isso decidido há muito, estarmos em eterna pesquisa e aperfeiçoamento das mesmas. Procuramos dar resposta ao desequilíbrio humano principalmente através da mudança para um estado de consciência mais equilibrado, não dispensando todavia, a medicina ou as terapias adequadas para cada caso.
Mail: blevy00@gmail.com | Telefone: 968 569 303 | 212 748 006