ISABEL


        Exemplo dum caso de Terapia Regressiva de Memória

As sombras da alma…

“Existe um momento em que o terapeuta Regressivo deverá anular-se…”

Não haja dúvida que o ser humano se identifica muito com a mente e suas exigências, esquecendo-se de si, da sua alma e de se sentir, havendo em muitos casos alguma tendência também em desligar-se das necessidades do seu corpo e em deixar de ouvi-lo, pensando com isso até poder evoluir, quiçá também espiritualmente… não se permitindo sentir as suas necessidades, a sua ligação com a Terra.

Isabel, mulher jovem ainda com 37 anos, de semblante fino, com uma pele muito branca e um ligeiro peso acima do normal, queixava-se duma certa ansiedade – sintoma que lhe originava por vezes vontade de comer excessivamente, principalmente à noite. Também sentia uma insatisfação constante, que a levava a não ter uma dinâmica de ação e vontade assertivas. Nos seus relacionamentos, o medo de perder a liberdade ou de confiar, bem como o receio de se aprofundar na intimidade, levavam-na a não conseguir ter uma relação estável, permanecendo com ela uma certa sensação de solidão… embora existisse também o fascínio pela sedução. Através da sua anamnese soube que teria passado uma infância algo traumática, pois era filha de pai alcoólico e violento, tendo-se sentido incapaz muitas vezes de defender a mãe da agressão deste, em várias situações ou períodos da sua vida.

Sofrendo duma extrema falta de energia e de vitalidade, era com esforço que por vezes ia para o seu trabalho, acordando já cansada. Tinha também uma estranha sensação periódica e momentânea de que o tempo estava parado para ela… No entanto o seu rosto parecia transparecer alegria, talvez para esconder alguma melancolia que não queria sentir.

Como esta cliente me teria previamente informado que trabalhava num escritório sem a luz natural do sol – existindo simplesmente a iluminação por lâmpadas florescentes, comecei de início por pensar que talvez ela estivesse um pouco desvitalizada por não ter muito contato com a luz solar…

Nas primeiras duas seções de TRM comecei por abordar a sua ansiedade e a insatisfação constantes, bem como a sua relação com o pai e a sua criança interior. Pude aperceber-me assim que nela existia uma criança zangada e triste por não ter tido uma família estável, amorosa, tendo permanecido consigo o medo de vir a cometer o mesmo erro relacional que os seus progenitores teriam tido. As pazes com o seu falecido pai foram na segunda seção de terapia abordadas e atingidas.

Após este início de trabalho com Isabel, esta queixava-se no entanto de alguns conflitos – agora talvez mais conscientes – com uma chefia feminina no seu emprego, que a fazia sentir-se profunda e injustamente desvalorizada. Como é normal nestes casos, pensava esta minha cliente que talvez por isso se pudesse sentir cansada ou desvitalizada…

Na terceira seção de TRM, após termos ido a uma vida passada sua, onde foi confrontada com uma existência muito positiva duma subpersonalidade forte e íntegra numa dada época – na qual a alma de Isabel realizou o seu sonho de liberdade e felicidade naquela vida. Peço depois para se colocar perante o seu Curador Interno – uma personagem interior de auxílio, a fim de tentarmos perceber a origem das suas queixas de desvitalização – sendo esta na realidade, uma boa forma de obtermos a informação…

Junto a ele colocou então a questão principal: “Qual a origem da minha desvitalização?” – perguntou Isabel. – “Está desenraizada. Deixou de dar importância ao ar, à água, à Terra e a tudo o que existe à sua volta… É a Terra que vai nutrir as suas raízes….” diz-lhe o Curador Interno. “Deve conectar-se com a ela – algo que na realidade sabe como fazê-lo. É através dela que vai receber toda a Energia que precisa.”

Foi-lhe mostrado de seguida como todas as raízes das árvores se unem debaixo do solo. “Cada árvore não se sustenta sozinha – precisa das outras, da água, do ar, etc. Através das suas raízes interligadas as árvores vão procurar o seu alimento muito longe…” dizem-lhe.

Cristina compreende através deste simbolismo que se encontra numa terra estéril e que ela na realidade, será como uma árvore que está caída, sem forças, desnutrida. O Curador Interno aconselha-a a erguer-se primeiro antes de se tentar mover – “Ou talvez sair da empresa onde se encontra…” – pensei eu para os meus botões, naquele momento…


A minha cliente compreende também que a insatisfação que tem sentido, em grande parte terá origem na desvitalização que sofre. É-lhe dado o conselho para se proteger… e que terá de se alimentar de Luz. Pensei mais uma vez que se estaria a referenciar-se aqui a questão de estar a trabalhar num ambiente fechado, sem a luz do Sol…

Foi nesse momento que Isabel começou a colocar dúvidas: “Como faço isso?” – questiona. Digo-lhe para experimentar entrar nessa Luz que lhe estão a mostrar e para sentir o que esta lhe proporciona. Quando o faz sente-se serena, calma, com muita boa vontade e energia. Ao entrar na Luz apercebe-se também que estão muitas pessoas num grande círculo e que lhe estendem as mãos, na sua direção… e sente-se bem recebida, acolhida. No meio do círculo encontra-se uma grande Fonte de Luz que jorra sem parar. Isabel começa então a chorar como se se recordasse de algo. As pessoas do círculo informam-na que ela é um guerreiro de Luz. “ A Fonte de Luz existe dentro de nós” – dizem-lhe “… Nós alimentamos essa Fonte e Ela alimenta-nos… Precisamos de recordar, lembrar-nos que somos na realidade guerreiros de Luz… Lembre-se da Luz que existe em si – só se mantém se se projetar para ela, alimentando-A”. Isabel continua a soluçar. Sente-se pequenina, envergonhada, incrédula, sem saber como é que se esqueceu de quem ela é. “Entrar nesse esquecimento e sair desse esquecimento torna-nos depois mais fortes…” informam-na.

Para mim este simbolismo começava a ser muito interessante, na sua relação com a verdadeira realidade do ser humano, pois este esqueceu-se de onde vem, para onde vai e… de quem na realidade é…

Este será talvez um dos tais momentos em que o terapeuta regressivo e a sua mente analítica, os cursos internacionais ou outros que tirou e os protocolos terapêuticos testados centenas ou milhares de vezes, se devem esquecer por completo e, onde na realidade, ele começa a ter a nítida sensação de que já não está sozinho a fazer a terapia – devendo-se calar, sentir, prestar atenção e ouvir… e quando falar, talvez possa perceber que já não está a falar por si… mas por uma informação diferente, que já não faz parte da sua mente…

“Eles estão a dizer-me que eu e o Curador Interno somos um só… e que há mais para saber, pois eu na realidade posso ser aquilo que eu quiser ser…” diz-me Isabel de certa forma abismada. Pergunta-lhes de seguida se todas as pessoas na Terra são assim – guerreiros de Luz. Respondem-lhe que não. “Há vários tipos guerreiros… nós somos os de Luz.

Isabel não sabe bem o que isto poderá significar. Informam-na de que se trata dum grupo de cura e que ela deverá começar por trabalhar com a sua própria Luz primeiro que tudo… “Mas eu não sei como?!” – menciona. Para lhe demonstrarem algo, estas personagens erguem então as mãos, com as palmas viradas para baixo. Formam uma bola de Luz que começa a rodar. Isabel sente também que este grupo está a ser verdadeiro, sincero, onde se pode sentir amparada, interligada, onde nunca a deixarão cair ou abandonar – com uma forte sensação de ter voltado para casa, acolhida pela família onde sempre pertenceu. Dizem-lhe para não se desconectar – que as árvores com as raízes que viu anteriormente representam este grupo. Aconselho Isabel de seguida a tentar copiar o que eles estão a querer demonstrar, para poder sentir, compreender – dado ela não saber ainda como utilizar a Luz que mencionam… ou mesmo perceber o que isso significa.

“É como se tivesse a potencializar a boa energia, a curar – mudando mentes, ideias, emitindo choques de Luz Curativa nas pessoas…” toma perceção Isabel ao experimentar a sensação. Compreende que a Luz pode ser utilizada de diversas formas – que não há só uma forma e, que cada ser pode descobrir uma nova maneira de utilizá-la.

O Curador Interno aconselha-a no entanto a limpar-se primeiro das sombras que afetam a alma para conseguir trabalhar com a Luz… pois foi através dessas sombras que ela se teria esquecido da Luz que existia dentro dela…


Compreendi que deveria estar a referir-se a influências que colocavam em défice a energia da sua alma –  e interroguei-me se poderiam ser suas ou não. Peço-lhe de seguida para perguntar ao seu Curador Interno se as sombras da alma, que menciona, serão somente dela. Informam-na que algumas são da família atual e outras vêm com ela. Faço Isabel de seguida situar-se num dado local fechado – numa sala, e deixar entrar somente as sombras que são da sua família, para tomarmos perceção do que se trata. “A sala ficou cheia!!” Informa-me. Entre as subpersonalidades que entraram na sala, existe uma irmã paterna e várias outras personagens que não conhece… Sente que é como se eles tivessem algo contra ela por não os ter seguido na sua forma de ser. “Na realidade é como se eu não fosse do mesmo sangue deles… pois viveram a vida a guerrear uns com os outros e aperceberam-se que eu não colaborei nessa forma de estar… Sinto também como se cada um deles tivesse muitas raivas, queixas, mágoas e prendessem nessa mesma teia negativa outros que vieram posteriormente a nascer nesta família. “

Peço-lhe então para chamar alguém que esteja na Luz e que eles conheçam – alguém que tenham amado, que estes familiares precisem de ouvir, comunicar e que os possam levar . Assim faz e, apercebe-se de que vários seres de Luz entram na sala para se comunicar individualmente com cada familiar seu que ali está. Passado pouco de tempo, um a um vão saindo desta sala acompanhando estes seres, ficando a mesma praticamente vazia, permanecendo no entanto a tia – que será a única que ainda está fisicamente viva na sua vida atual. Teria havido algumas questões pertinentes em que Isabel se sentiu afetada por ela no seu passado. Faço a constelação familiar de Isabel com esta tia, o que origina a mesma afastar-se também da sala. De seguida peço para deixar entrar outras entidades ou personagens que não são de família, mas que se sentiram atraídas pela minha cliente por alguma razão. Estas ter-se-iam ligado à Isabel através de pessoas que ela pouco conhece ou através de alguém com quem se cruzou simplesmente. Não se apegaram à Isabel por mal, mas por gostarem da sua energia. Da mesma forma fazemos o encaminhamento destas sombras intrusas da sua alma para a Luz.

No trabalho com grupos de Luz é mais rápido o resultado. Ficaram por fim somente as únicas sombras da alma que pertenciam à própria Isabel – na realidade subpersonalidades de vidas passadas suas, com questões para serem resolvidas. Perguntei ao Curador Interno quantas seriam e, combinámos começar esse capítulo numa próxima sessão…pois aqui a terapêutica seria mais demorada. 

Terá sido um pouco contrafeita que Isabel quis regressar daquele local não físico onde se encontrava, quando pretendi terminar esta sessão… “Como é pesado o meu corpo…” comenta quando começou a voltar a estar presente na marquesa da sala. “Sim…” – respondi-lhe – “Eu sei bem a que se está a referir… essa sensação já lhe irá passar…” – comentei. A diferença entre ter e não ter corpo é realmente difícil de entender para quem se esqueceu como já foi…

Apesar de só ainda termos feito uma parte do trabalho pretendido, quando falei com a cliente, poucos dias após esta seção, a sua energia e vitalidade já estavam diferentes. A sua vontade e força interiores devido ao enraizamento, eram visivelmente superiores… Estranhamento, disse-me ela – coincidência ou não, aquela tia paterna com quem já não falava há cerca de seis anos, tinha-lhe telefonado e em consequência disso, ambas tinham comunicado muito bem uma com a outra pelo telefone…

A desvitalização desta cliente já estava a ser ultrapassada e a sua Alma de Família estava já em movimento…

Para o leitor(a), que teve interesse em ler esta minha experiência até ao fim, gostaria de deixar-lhe um simples conselho – se quiser verdadeiramente evoluir na espiritualidade e como ser humano – reaprenda a dizer para si muitas vezes: “Eu estou a sentir…” e ligue-se à Terra, às suas raízes, ao seu corpo… sinta nas suas células aquilo que está a dizer nesse momento e não deixe que a mente interfira. Poderá completar esta frase com o que pretenda encontrar, trazer para si ou para a sua vida de positivo – por exemplo. “Eu estou a sentir o Amor dentro de mim…” respire isso… e sinta… sinta tal como um fluxo de ondas de energia… dance se tiver vontade, pois se estiver a ser verdadeiro os anjos virão também dançar ou cantar consigo.

Poderá escolher outra frase, como por exemplo: “Eu estou a sentir liberdade…”, “Eu estou a sentir felicidade…” – mas se não conseguir sentir-se genuíno, verdadeiro, em qualquer uma das frases depois de várias tentativas, ou se na realidade, tudo o que lhe acontece na sua vida é contrário ao que diz sentir – é provável que possa não ser devido à sua mente… mas sim a alguma sombra da alma que possa existir…

Bem haja.

Benjamim Levy

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Benjamim Levy

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